Quanto vale um site sem receita: o que um comprador sério realmente paga
Avalie um site que ainda não fatura pelo custo de reposição e pelos ativos que se transferem, e monte o dossiê que um comprador sério pede antes de fazer qualquer oferta.
A Carla mantém o Guia do Aquário há seis anos: 120 artigos, 8.000 visitas por mês vindas da busca, 1.500 pessoas na lista de e-mail e nenhum centavo de receita. Um interessado perguntou quanto ela queria pelo site, e ela não soube responder. A resposta curta: sem receita, um site não tem preço por múltiplo de lucro, porque não há lucro para multiplicar. O valor vem de duas perguntas: quanto custaria para o comprador construir algo equivalente, e o que exatamente passa para as mãos dele no dia da venda. O número da calculadora de valor de site não responde nenhuma das duas.
Este guia mostra como fazer essas duas contas com o caso da Carla e como montar o dossiê que transforma um projeto pessoal num ativo que alguém consegue avaliar.
Por que site sem receita não se avalia como negócio
Sites que faturam costumam ser avaliados pelo lucro que geram e pelo risco de esse lucro parar. É o raciocínio do guia de onde vem o número da calculadora de valor de site. Sem receita, essa conta não tem ponto de partida, e qualquer projeção ("com anúncio, daria tanto") é hipótese sobre o trabalho futuro do comprador.
E aqui está o ponto que mais frustra quem vende: ninguém paga a você pelo potencial que ele vai realizar. Se o comprador vai colocar anúncio, criar produto e escrever mais, o resultado disso é dele. Ele paga pelo atalho: o tempo e o dinheiro que deixa de gastar porque o site já existe.
Por isso, a conversa honesta sobre um site sem receita gira em torno de custo de reposição e de ativos transferíveis, e o resultado costuma ser bem menor do que o dono imagina e bem maior do que zero.
Primeira conta: quanto custaria refazer
O custo de reposição é o que alguém gastaria para chegar no mesmo lugar partindo do zero. Ele funciona como teto: nenhum comprador racional paga mais do que gastaria fazendo sozinho.
Para o Guia do Aquário, a Carla estimou assim:
conteúdo: 120 artigos x 3 h por artigo x R$ 60/h = R$ 21.600
fotos: 80 fotos próprias x R$ 30 por foto = R$ 2.400
site: tema, ajustes e configuração = R$ 3.000
total = R$ 27.000
o que não se compra com dinheiro:
6 anos de histórico do domínio
posicionamento na busca para ~300 consultas
1.500 inscritos que abriram e-mail nos últimos meses
O comprador não vai pagar R$ 27.000. Primeiro, porque ele não precisa de exatamente aqueles 120 artigos; talvez 40 já resolvam. Segundo, porque artigo antigo pode estar desatualizado e precisar de revisão. Terceiro, porque ele assume o risco de o tráfego cair depois da compra. Mas a lista de baixo, o que não se compra, é justamente o que justifica pagar algo em vez de começar do zero: posição na busca leva tempo para construir, e tempo é o que ele está comprando.
Segunda conta: o que se transfere de verdade
Um site é um conjunto de coisas, e só algumas mudam de dono no dia da venda. Liste cada uma e pergunte se ela continua funcionando sem você.
- Domínio. Está no seu nome, com a conta acessível? Domínios
.brmudam de titular por procedimento próprio no Registro.br; outros, pela transferência entre contas do registrador. Domínio em nome de terceiro, ou de uma empresa que fechou, vira problema na hora da venda. - Conteúdo. É original? Fotos e imagens têm licença registrada? Texto copiado e foto sem origem perdem valor no momento em que o comprador faz uma busca reversa.
- Tráfego orgânico. Ele vem da busca, que se transfere junto com o domínio e o conteúdo, ou de um perfil pessoal em rede social, que fica com você?
- Lista de e-mail. As pessoas se inscreveram para receber conteúdo do seu site. Passar a lista para outra pessoa envolve proteção de dados pessoais, e a forma de fazer isso precisa ser pensada com cuidado. O guia adequação à LGPD num sistema pequeno ajuda a organizar o básico.
- Perfis em redes sociais. As plataformas têm regras próprias sobre transferência de conta; confira os termos de cada uma antes de incluir na venda.
- Você. Se o site é a sua voz, a sua cara nos vídeos e o seu nome na assinatura, parte do valor não se transfere. Seja claro sobre isso.
Como montar o dossiê de venda
- Exporte os dados de tráfego. Do Search Console, os últimos 16 meses de cliques e impressões por página e por consulta. Do analytics, visitas por origem. Dados do painel valem muito mais do que estimativas de ferramenta externa. Se você ainda não lê esses relatórios com segurança, comece por Search Console: a busca mostra a página que ela entendeu.
- Liste as páginas que trazem o tráfego. Normalmente poucas páginas concentram a maior parte das visitas. Mostre quais são e há quanto tempo estão estáveis.
- Documente o que se transfere. Domínio, hospedagem, conteúdo, imagens com licença, lista de e-mail com a base de consentimento, contas e senhas que serão passadas no fechamento.
- Some os custos de manter. Hospedagem, domínio, plugins pagos, horas por mês para responder comentários e atualizar o sistema.
- Escreva os riscos. Concentração de tráfego, artigos que precisam de atualização, dependência de você. Comprador que descobre risco sozinho desconfia de todo o resto.
- Defina uma faixa, não um número. Com teto no custo de reposição e piso no que você aceitaria para não manter mais o site.
No caso da Carla, o dossiê mostrou que 25 artigos traziam a maior parte das visitas, todos estáveis havia mais de dois anos, e que a lista de e-mail tinha taxa de abertura boa. Isso deu a ela argumento para uma faixa bem acima do valor de "um blog sem receita", porque o comprador conseguia enxergar o que estava levando.
A alternativa: criar histórico antes de vender
Se não há pressa, considere monetizar por alguns meses antes de vender: um programa de afiliados ligado ao tema, um produto digital simples, anúncio discreto. Mesmo uma receita pequena, mas estável e documentada, muda a conversa de "quanto custaria refazer" para "quanto isso rende". Só não faça isso às pressas, com anúncio por todo lado, porque página tomada por anúncio costuma perder leitor e posição.
Erros comuns
- Pedir preço pelo potencial. "Com anúncio, daria R$ 2.000 por mês" é a conta do comprador, não a sua. Ele não paga pelo trabalho que ainda vai fazer.
- Usar o selo da calculadora como prova. Ela não viu painel nenhum. O comprador sério ignora o número e desconfia de quem o mostra.
- Não ter dados de painel. Sem Search Console nem analytics configurados, tráfego é só a sua palavra.
- Esquecer a licença das imagens. Foto sem origem é passivo que vai junto com o site, e o comprador desconta.
- Vender a lista de e-mail sem pensar em proteção de dados. Pode criar problema para os dois lados e quebrar a confiança dos inscritos.
- Esconder que o site depende de você. O tráfego cai depois da venda e a reputação de quem vendeu vai junto.
Checklist
- O custo de reposição está calculado com horas e valores explícitos.
- Cada ativo está listado com a informação de se transfere ou não.
- O domínio está no seu nome e você sabe como transferir a titularidade.
- Há exportação de pelo menos 12 meses de dados do Search Console.
- As páginas que concentram o tráfego estão identificadas.
- Toda imagem publicada tem origem e licença registradas.
- Os riscos estão escritos no dossiê, não guardados para depois da oferta.
- Você tem uma faixa de preço com teto e piso justificados.
Este guia organiza o raciocínio, mas não é avaliação profissional; em venda real, um contador e um advogado ajudam a fechar contrato, impostos e a parte de dados pessoais.
Abra o painel do seu site e anote só o que um comprador levaria no dia da venda: domínio, conteúdo, tráfego de busca, lista. Quanto custaria para ele construir isso do zero, e quanto tempo?
Referência: http://valordomeusite.adsmp.com/