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Recibo do Imposto de Renda: guardar, achar e retificar

Recibo do Imposto de Renda no IRPF 2026: prazos e regras da retificadora, o papel do .DEC e do .REC e um backup em Python que avisa quando falta o recibo.

Fim de outubro. A corretora manda um informe de rendimentos corrigido de 2025, e o valor dos juros de um CDB está diferente do que foi para a declaração entregue em abril. O prazo do IRPF 2026 acabou em 29 de maio, mas isso não impede a correção. Pelas regras da Receita, a retificadora pode ser entregue depois do prazo e não paga multa por atraso. Só que, ao abrir o programa para retificar, você precisa de um número que talvez ninguém tenha guardado: o número do recibo da última declaração entregue daquele ano.

O recibo é o que transforma a declaração preenchida em declaração entregue. O Perguntas e Respostas do IRPF 2026 diz isso com todas as letras: a comprovação da entrega "é feita por meio de recibo gravado após a transmissão", e a impressão "fica a cargo do contribuinte". A Receita gera o recibo, e guardar é com você.

As datas e regras que valem em 2026

  • Prazo do exercício 2026: de 23/03/2026 a 29/05/2026, até 23h59min59s de Brasília no último dia (página de prazos da Receita, IN RFB 2.312/2026). A declaração trata dos rendimentos do ano-calendário 2025.
  • Retificadora: o número do recibo da declaração imediatamente anterior do mesmo exercício é obrigatório. Depois do prazo, a retificadora precisa manter a forma de tributação da original (deduções legais ou desconto simplificado) e não está sujeita à multa por atraso.
  • Prazo para retificar: cinco anos, inclusive para corrigir o valor de bens e direitos.
  • Exercícios anteriores: cada um se retifica no programa do próprio ano, que continua disponível para download no site da Receita.
  • Quem não entregou: a multa por atraso é de 1% ao mês sobre o imposto devido, com mínimo de R$ 165,74 e máximo de 20%. Sem imposto devido, a multa é de R$ 165,74.

A restituição do exercício 2026 saiu em quatro lotes (29/05, 30/06, 31/07 e 31/08), segundo o cronograma de lotes de 2026. Uma retificadora entregue agora volta para a fila de processamento, e a prioridade passa a contar pela data da última declaração transmitida.

Três arquivos, três funções

Quem declara pelo programa no computador (o PGD) termina a entrega com dois arquivos na pasta do programa e um terceiro, se quiser, em PDF:

  • .DEC: a declaração em si. É ele que o programa abre para criar a retificadora. Sem ele, você teria de redigitar tudo.
  • .REC: o recibo de entrega, que só aparece depois de uma transmissão bem-sucedida. Um .DEC sem .REC ao lado é uma declaração salva que não foi entregue, ou um recibo que se perdeu.
  • PDF do recibo e da declaração: para ler e para mandar a quem pedir comprovação de renda, como banco, imobiliária ou concurso. O PDF não serve para retificar.

Se o .REC sumiu mas o programa ainda abre a declaração, o número do recibo aparece no menu Declaração, opção Abrir, do próprio programa. Se o computador foi formatado, o caminho é o e-CAC com a conta gov.br, que mostra as declarações entregues. Funciona, mas depende de login com nível de segurança adequado, e num prazo apertado é mais uma dependência.

Um backup que confere o que copiou

Copiar a pasta para a nuvem uma vez por ano resolve quase tudo. O "quase" é o .DEC de uma retificadora que você salvou e esqueceu de transmitir, ou uma cópia que falhou no meio sem ninguém ver. O script abaixo procura todos os .DEC dentro da pasta do programa, avisa quando falta o recibo correspondente, copia o par para o destino (um disco externo ou uma pasta sincronizada) e compara o hash SHA-256 de cada arquivo copiado com o original:

"""Copia as declarações do IRPF para um destino e confere a cópia.
Uso: python3 guarda_irpf.py PASTA_DO_PROGRAMA DESTINO"""
import sys, shutil, hashlib, pathlib

origem, destino = map(pathlib.Path, sys.argv[1:3])
sha = lambda p: hashlib.sha256(p.read_bytes()).hexdigest()
decs = sorted(p for p in origem.rglob("*") if p.suffix.upper() == ".DEC")
problemas = 0
for dec in decs:
    rec = next((r for r in (dec.with_suffix(".REC"), dec.with_suffix(".rec")) if r.exists()), None)
    if rec is None:
        print(f"SEM RECIBO: {dec.name} (não transmitida ou recibo apagado)")
        problemas += 1
        continue
    for arq in (dec, rec):
        alvo = destino / arq.relative_to(origem)
        alvo.parent.mkdir(parents=True, exist_ok=True)
        shutil.copy2(arq, alvo)
        if sha(arq) != sha(alvo):
            print(f"CÓPIA DIFERENTE: {alvo}")
            problemas += 1
    print(f"ok: {dec.stem} (.DEC + .REC)")
print(f"{len(decs)} declarações, {problemas} problema(s)")
sys.exit(1 if problemas or not decs else 0)

No teste, com Python 3.13 e uma pasta simulada com duas declarações transmitidas e uma retificadora salva mas não transmitida (CPF zerado nos nomes), a primeira rodada termina com erro:

ok: 00000000000-IRPF-A-2025-2024-ORIGI (.DEC + .REC)
SEM RECIBO: 00000000000-IRPF-A-2026-2025-RETIF.DEC (não transmitida ou recibo apagado)
ok: 00000000000-IRPF-A-2026-2025-ORIGI (.DEC + .REC)
3 declarações, 1 problema(s)

Depois da transmissão da retificadora, a mesma rodada sai com código 0 e seis arquivos no destino. Apontado para uma pasta sem nenhum .DEC, por exemplo um caminho errado, ele também sai com erro, em vez de dizer que copiou zero arquivos com sucesso. Esse detalhe conta: o post sobre o backup que ninguém restaurou mostra por que um backup que nunca falha alto costuma estar falhando em silêncio.

Uma vez por ano, faça o teste de verdade: num computador que não seja o seu, instale o programa do exercício pelo site da Receita, copie o .DEC e o .REC do backup e abra a declaração. Se ela abrir com o número do recibo, o backup funciona.

A pasta por exercício

Exercício é o ano da entrega, e ano-calendário é o ano dos rendimentos. A declaração entregue em 2026 é do exercício 2026, com os rendimentos de 2025. Organizar pelo exercício evita confundir os dois:

IRPF/
  2026-exercicio/        (entregue em 2026, rendimentos de 2025)
    programa/            (.DEC e .REC copiados pelo script)
    pdf/                 (recibo e declaração para mandar a terceiros)
    informes/            (banco, corretora, empregador; o corrigido junto)
    deducoes/            (saúde, educação)
    NOTAS.txt            (o que mudou no ano e por quê)
  2025-exercicio/
    ...

O NOTAS.txt parece exagero até o ano em que você vende um imóvel, recebe uma herança ou começa a operar cripto. Uma linha com a data e o motivo de cada mudança economiza horas no ano seguinte e na retificação. Os posts sobre herança na declaração e imposto de cripto mostram o tipo de anotação que faz falta depois. Quem já registra rendimentos, investimentos e proventos durante o ano num app como o Clarus tira dele os relatórios para o IR e guarda o PDF na pasta informes/ do exercício, junto com o resto.

Guarde a pasta pelo menos pelos cinco anos do prazo de retificação. Ignore e-mail ou SMS sobre "pendência na declaração" com link ou anexo: a comunicação oficial da Receita fica na caixa postal do e-CAC, e o programa só deve ser baixado pelo site da Receita, no domínio gov.br.

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Referência: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/download/pgd/dirpf